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FinanZEN

Este artigo parte de uma inquietação simultaneamente simples e profunda: como famílias inseridas em tecidos sociais tão distintos — dos Estados Unidos à Europa, passando pelo Brasil — lidam com as incertezas materiais, os aprendizados imperfeitos e as expectativas que moldam suas escolhas? Ao expandir os diagnósticos tradicionais da economia comportamental norteamericana (SHED) para um cenário internacional, reunimos evidências que revelam padrões humanos surpreendentemente persistentes, a despeito das marcantes diferenças culturais, históricas e institucionais.


A análise percorre cinco dimensões centrais da vivência financeira: a vulnerabilidade que atravessa gerações; a ilusão do conhecimento (excesso de confiança) sobre o sistema financeiro; a tirania do presente e as justificativas que orientam o uso do crédito; as desigualdades no horizonte da aposentadoria; e o peso emocional das expectativas subjetivas — muitas vezes mais mobilizadoras do que os indicadores econômicos oficiais. Ao cruzar essas camadas, propomos formas de aproximar microdados oriundos de diferentes arranjos de proteção social, permitindo enxergar como as decisões individuais são, na verdade, moldadas por seus ambientes socioculturais. Mais do que um exercício estatístico, trata-se de compreender como diferentes sociedades constroem, mitigam ou aprofundam a precariedade, oferecendo caminhos para políticas públicas mais empáticas às diversas formas de viver e imaginar o futuro.

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